MPB
Festivais

MPB dos anos 60

22/04/2006

MPB anos 60

 
Toda música produzida no Brasil que não é identificada com música erudita. Surge no século XVIII como expressão cultural da população das principais cidades coloniais, como Rio de Janeiro e Salvador. É marcada pela síntese de sons indígenas, negros e portugueses. Mistura também elementos da música folclórica e erudita. Apresenta grande variedade de gêneros e ritmos e reflete a diversidade regional do país.

A modinha, espécie de canção lírica e sentimental, desponta como uma das primeiras expressões musicais tipicamente brasileiras no século XVIII. É uma variação do estilo de maior sucesso na corte portuguesa, a moda. O lundu, dança de origem angolana trazida pelos escravos, predomina durante o século XIX. Sua fusão com os ritmos estrangeiros resulta no maxixe, surgido no Rio de Janeiro entre 1870 e 1880. Nessa época aparece o choro, caracterizado pela improvisação instrumental executada basicamente por violão, cavaquinho e flauta. O samba nasce no final do século XIX, no Rio, influenciado pela marcha, pelo lundu e pelo batuque, entre outros ritmos.

No final dos anos 20 surgem as primeiras duplas sertanejas, como Mariano e Caçula, que fazem as chamadas modas de viola. As músicas, que tratam da vida do homem da roça, são cantadas em duas vozes e acompanhadas por viola e violão.

A música brasileira faz sucesso no rádio , criando ídolos populares, a partir da década 30. Destacam-se as cantoras Isaura Garcia (1923-1993), Emilinha Borba (1923-) e Marlene (1924-), com seus repertórios românticos. Entre os cantores, Francisco Alves (1898-1952) é considerado Rei da Voz. Nessa época, do governo de Getúlio Vargas, a censura prévia controla a música popular. Canções de caráter político só são veiculadas quando elogiosas ao país, como Aquarela do Brasil, de Ary Barroso  . Nos anos 40, a Rádio Nacional, estatal, contrata artistas prestigiados como Sílvio Caldas (1908-1998) e Orlando Silva (1915-1978). A década de 50 é marcada pelo samba-canção, que trata de temas relacionados às desventuras do amor, como Vingança, de Lupicínio Rodrigues (1914-1974).

Na virada dos anos 40 para os 50 acontece o primeiro momento de sucesso da música nordestina. Nessa época, Luís Gonzaga, autor de Asa Branca, passa a ser conhecido em todo o país como Rei do Baião. Cantando as dificuldades da vida nordestina, lança um novo balanço e uma nova maneira de dançar. Outro compositor de sucesso é Zé do Norte, que em 1950 fica famoso com Mulher Rendeira.

Tom Jobim
Tom Jobim

ANOS 50 E 60 – Em 1958 surge a bossa nova. Sua estrutura harmônica, influenciada pelo jazz, e o refinamento na instrumentação diferem de tudo o que já havia sido produzido. Entre os nomes mais importantes do movimento estão Tom Jobim e Vinícius de Moraes.  

Nos anos 60, o clima de militância política dá origem a músicas que abordam temas relativos à situação social e política do país. Grande parte dos compositores da época ingressa nas canções de protesto, como Geraldo Vandré (1935-), autor de Caminhando (Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores), e Edu Lobo (1943-), de Upa Neguinho.  

Em meados dos anos 60 explode a jovem guarda, o reflexo brasileiro do rock internacional, com músicas românticas e descontraídas que fazem sucesso entre os jovens. Nos anos 70, o rock desenvolve-se com Rita Lee (1947-) e Raul Seixas (1945-1989) .  

MPB – A partir de 1965, com o início dos festivais, a sigla MPB passa a identificar a música popular brasileira, ou seja, a música que surge após a bossa nova, rompe com os regionalismos e se projeta nacionalmente. Marcada por grande variedade de estilos, incorpora elementos do jazz e do rock da jovem guarda.

A MPB diferencia-se da bossa nova por abandonar o intimismo, apresentar-se em grandes espaços públicos e pela temática, ligada à situação política do país.  

Festivais – A TV Excelsior, de São Paulo, organiza o Primeiro Festival de Música Popular Brasileira. Os parceiros Edu Lobo e  Vinicius de Moraes  vencem com Arrastão, interpretada por Elis Regina (1945-1982).

No ano seguinte, a TV Record, também de São Paulo, produz o segundo festival. Chico Buarque de Holanda, com A Banda, e Geraldo Vandré, com Disparada, empatam em primeiro lugar. 

Em 1967, no Festival de MPB da TV Record, Edu Lobo e Capinan vencem com Ponteio e Roda Viva, de Chico Buarque fica em quarto lugar . No mesmo festival, Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, e Domingo no Parque, de Gilberto Gil , lançam as sementes do tropicalismo, movimento que incorpora à MPB elementos do rock, dos ritmos estrangeiros e da cultura de massa.

A partir da decretação do AI-5, em 1968, toda a produção cultural do país entra em crise com o exílio de muitos artistas.

Na MPB, poucos músicos realizam trabalhos isolados, como Milton Nascimento e Elis Regina.

Jovem Guarda

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