Onde estão minhas portas? Minhas idas, vindas e saídas?
 
História das Bruxas

a.e.c = antes da era cristã
d.e.c. + depois da era cristã
Cerca de 12000 a 10000 a.e.c.
- Encontradas estatuetas de uma Deusa da Fertilidade;
- Pinturas ruprestres na França e Espanha descrevem danças circulares e um Deus (ou um sacerdote representando um Deus) vestindo peles de animais e chifres;
Cerca de 6000 a.e.c.
- A Bretanha tornou-se uma ilha - anteriormente, era unida ao continente europeu;
De 6000 a 5000 a.e.c.
- Início da agricultura no Oriente Próximo; antes viviam da caça (isso significa que o conceito de fertilidade da terra foi acrescentado ao da fertilidade humana e dos rebanhos - assim, novos ritos e crenças foram adicionados à religião e à magia);
- A agricultura também trouxe ao paganismo a importância do Sol e da Lua na vida das pessoas (colheitas, ciclos, morte, renascimento etc.);
3000 a.e.c.
- Neolíticos começam a se estabelecer na Bretanha (dizem que tais povos vieram do Norte da Ásia e, com isso, trouxeram consigo muitos cultos do Além Mundo, como por exemplo de Ísis e Osíris no Egito, em seus conceitos essenciais);
3350 a.e.c.
- Zodíaco de Glastonbury (sugere que as formas das colinas, rios etc ao redor de Glastonbury deram origem às figuras do zodíaco);
2000 a.e.c.
- Povos do início da Idade do Bronze chegam à Bretanha atraídos pelas minas de estanho;
- Construção dos aterros circulares;
1800 a.e.c.
- Construção de Stonehenge e da maioria dos monumentos megalíticos (que até hoje são lugares de poder para cultos pagãos);
1103 a.e.c.
- Refugiados de Tróia fundam Londres (data aproximada);
Século V a.e.c.
- Povos célticos da cultura hallstadt da Idade do Ferro invadiram a Bretanha e ocuparam partes do sudeste. Trouxeram armas de ferro e utensílios, e acredita-se que tais povos trouxeram os druidas como seus sacerdotes, mas é possíveis que os druidas fossem sacerdotes de tribos ainda mais antigas;
55 a.e.c.
- Tentativa fracassada de Júlio César de conquistar a Bretanha;
37 d.e.c.
- José de Arimatéia, com alguns companheiros, refugia-se da Palestina depois da crucificação e funda a primeira igreja cristã na Bretanha, em Glastonbury;
43 d.e.c.
- Um exército romano desembarca na Bretanha e ocupa o país durante 40 anos;
61 d.e.c.
- A Revolta de Boudicca (Boadicea);
- Massacre dos druidas pelo Império Romano;
120 d.e.c.
- A Bretanha é incorporada ao Império Romano por meio de tratado;
324 d.e.c.
- Por decreto do Imperador Constantino, o Cristianismo torna-se a religião oficial do Império Romano;
410 d.e.c.
- Queda de Roma e fim do domínio romano na Bretanha (foi neste quinto século que o rei Arthur deve ter vivido, caso tenha tido uma existência histórica);
553 d.e.c.
- O Conselho de Constantinopla declara a doutrina da reencarnação como sendo uma heresia;
597 d.e.c.
- Santo Agostinho traz o Cristianismo Papal para a Bretanha, agora extensivamente estabelecido entre os anglos, saxões, jutos e dinamarqueses;
607 d.e.c.
- recusa dos cristãos célticos em reconhecer a supremacia de Roma;
- Massacre dos bispos célticos;
- Incêndio da biblioteca de Bangor;
Século VIII
- "Liber Poenitentialis", de Theodore, proibe a prática da dança usando máscaras de animal, especialmente as de animais de chifres (as pessoas tinham o costume de dançar usando máscaras, como os pagãos faziam);
900 d.e.c.
- O Rei Edgar lamentou o fato de que os Antigos Deuses eram muito mais adorados em seus domínios do que o Deus cristão;
906 d.e.c.
- Regino, em seu "De Eclesiástica Disciplinis", apresenta o famoso "Canon Episcopi", denunciando as "mulheres más" que cavalgavam pela noite "com Diana, a deusa dos pagãos", obedecendo-a como uma deusa e sendo chamados ao seu serviço em certas noites. Esse texto serviu de autorização para a morte de milhares de pessoas;
1066: A conquista Normanda;
1090 a 1270: A era das Cruzadas que terminou em fracasso;
1100: Morte de William Rufus (que provavelmente era um pagão);
1207: Papa Inocêncio III começou a pregar a Cruzada Albigense, dirigida contra os cátaros no Sul da França;
1234: Extermínio dos Stendigers;
1290: Eduardo I expulsa os judeus da Bretanha;
1303: O Bispo de Coventry foi acusado de Bruxaria pelo papa;
1307 a 1314: Perseguição dos Cavaleiros Templários;
1316 a 1334: Período do papado de João XXII, autor de alguns dos primeiros decretos formais contra a Bruxaria;
1324: Julgamento de Dame Alice Kyteler pelo Bispo de Ossory. Ela refugiou-se na Bretanha, onde tinha amigos "bem colocados"; diziam que o Bispo era um deles e a julgou depois que esta cortou relações;
1349: Fundação da Ordem da Jarreteira por Eduardo III (que pode ter sido pagão);
1406: Rei Henrique IV instrui o Bispo de Norwich a procurar e prender as bruxas e feiticeiros na sua diocese;
1430: Julgamento de Joana D'Arc;
1484: Bula Papal do Papa Inocêncio VIII, "Summis desiderantes affectibus", um ataque feroz aos hereges e bruxas);
1486: Publicação do "Malleus Malleficarum", sinal da perseguição severa e difundida;
1541: A lei da Bruxaria foi aprovada no reinado de Henrique VIII. Isso indica que as bruxas eram reconhecidas como uma seita herética e confirma a velha história da "era das fogueiras";
1547: A lei de Henrique VIII foi revogada por Eduardo VI;
1562: Outra lei da Bruxaria foi aprovada, no reinado de Elizabeth I. Na primeira ofensa, a punição era a exposição ao ridículo e, depois de três condenações, morte;
1563: O Parlamento da Rainha Mary, Rainha dos Escoceses, aprovou uma lei decretando morte às bruxas, o que resultou em uma média de 200 mortes por ano, durante um período de 39 anos. Durante os 9 primeiros anos, os números não chegavam a tanto, mas entre os anos de 1590 a 1593, as mortes chegaram a 400 por ano;
1584: Primeira edição de "Discoverie of Witchcraft", primeiro livro a abordar a Bruxaria de forma racionalista e longe dos absurdos pregados; James I ordenou que o livro fosse queimado;
1597: James VI da Escócia publicou em Edimburgo seu tratado de Demonologia e Bruxaria, o que significa apoio da realeza à caça às bruxas;
1604: A Lei da Bruxaria de James I, a mais severa já introduzida na lei civil inglesa. Havia uma lista de 3 mil bruxas que foram executadas e, a partir daí, o número de execuções anuais foi para 500 (apenas na Bretanha). Durou muitos anos;
1644: Matthew Hopkins começou seu negócio como "General Caçador de Bruxas", transformando-o em uma carreira lucrativa, oferecendo 20 xelins por bruxa encontrada; em seguida, ele teve vários imitadores;
1681: Lançamento do livro "Sadducismus Triumphatus", em resposta à crescente descrença das pessoas mais instruídas a respeito da caça às bruxas; tinha-se tornado algo enfadonho;
1711: Último julgamento de Bruxaria na Grã-Bretanha. Jane Wenham foi julgada e considerada culpada pelo júri, condenada à morte, porém, o juiz não aceitou as provas e revogou o caso, libertando-a;
1722: Uma idosa foi queimada como bruxa em Domoch, na Escócia. Esta foi a última execução judicial na Escócia;
1735: No reinado de George II, a lei de Bruxaria de 1735, a qual dizia que, na verdade, a Bruxaria não existia e que ninguém deveria ser processado por isso no futuro, mas quem "fingisse" ter poderes paranormais deveria ser processado como impostor;
1749: Girolamo Tartarotti publicou o livro "Del Congresso Nottorno delle Lammie", afirmando que a Bruxaria era derivada do antigo culto a Diana e fez uma distinção entre esta e a magia cerimonial, que procurava conjurar demônios; foi um dos primeiros escritores a tomar essa linha;
1809: Velhas idéias ainda persistem na escócia, quando é publicado o Dicionário de Brown, dizendo que uma bruxa é aquela que tem ligações com o diabo;
1848: O Espiritualismo moderno foi fundado como resultado das investigações dos fenômenos produzidos pelas irmãs Fox na América (tais fenômenos já tinham ocorrido antes, mas jamais foram investigados). A Igreja denunciou o Espiritualismo como "diabólico";
1857: Allan Kardec reintroduziu publicamente a antiga doutrina da reencarnação na Europa;
1892 a 1897: Dr. Charles Hacks e Gabriel Jogand publicaram na França uma série de "revelações acerca do Satanismo", com o máximo de sensacionalismo, mas nas quais o clero acreditava piamente. A maioria das descrições modernas de "Satanismo" são, na verdade, baseadas em tais "revelações";
1921: A Dra. Margaret Alice Murray publica o famoso "Culto das Bruxas na Europa Ocidental", seguido de "O deus das Feiticeiras". Nesses livros, a autora declarou que a Bruxaria era o que restou das antigas religiões pagãs dos europeus, e não um culto ao diabo;
1939: Data aproximada em que Gardner começou a praticar Bruxaria;
1948: Publicação de "A Deusa Branca", de Robert Graves, sobre as culturas de culto à Deusa;
1949: Gerald Gardner, sob o pseudônimo "Scirce", publicou um romance histórico chamado "High Magic's Aid". pelo que consta, era o primeiro livro escrito por um bruxo iniciado;
1951: Revogação das últimas leis anti-Bruxaria na Inglaterra;
1954: Publicação do livro "A Bruxaria Hoje", de Gerald Gardner, o primeiro livro falando realmente sobre quem eram as bruxas e o que faziam;
1955: Uma mulher foi queimada como bruxa no México, a 85 milhas do Texas, sob as ordens de um sacerdote local, realizada pela polícia da cidade;
1963: Iniciação de Raymond Buckland no coven de Gardner;
1963 a 1965: Introdução da Wicca nos Estados Unidos por Raymond Buckland;
1964: A Wicca Alexandrina, ramificação da Gardneriana, entra nos Estados Unidos;
1971: Publicação do livro "Witchcraft From Inside",d e Raymond Buckland; no mesmo ano, foi publicado o livro "What Witches Do", dos Farrar;
1974: Publicação do "Livro das Sombras" de Lady Sheeba, uma versão do BOS gardneriano; no mesmo ano, Raymond Buckland publica "The Three", afirmando que não existe nenhum problema em um bruxo iniciar a si mesmo e montar um coven, mesmo sem estar preparado para tal; depois deste livro, outros sugerindo o "como se iniciar" surgiram no mercado, aproveitando a onda;
1975: Início dos festivais pagãos, tais como o Pagan Spirit Gathering e o Pan Pagan, que duram até hoje; outros festivais foram surgindo durante a década seguinte;
1979: Publicação de "Dança Cósmica das Feiticeiras", de Starhawk;
1996: Estréia do filme "Jovens Bruxas", inspirado na religião Wicca;
1997: Lançamento da série Harry Potter que, junto com a internet, impulsionou um verdadeiro boom de buscas e informações sobre Bruxaria no mundo cada vez por mais pessoas;


Início
As Bruxas de Salem - Parte I


Na minha cidade ninguém foi queimado em fogueira. As bruxas eram enforcadas ou esmagadas sob pesadas pedras. As vinte pessoas executadas em Salem sempre pareceram um pequeno número quando comparado aos milhões que sofreram na Europa, mas, proporcionalmente, os mortos, os que ainda estavam presos e os acusados, mas ainda não detidos formavam uma considerável percentagem da população numa área escassamente povoada.
Foi uma verdadeira histeria. Gente de todos os setores da vida tinha sido acusada: um pastor graduado por Harvard e dono de uma grande propriedade rural na Inglaterra; o mais rico armador e proprietário de navios mercantes em Salem; o capitão John Alden, filho de John e Priscilla, os lendários amantes da colônia de Plymouth; até a esposa do governador da colônia de Bay. Ninguém estava seguro.
Tudo começou na cozinha do Reverendo Paris, onde Tituba, uma escrava de Barbados, entretinha a filha do Reverendo e suas amiguinhas durante os frios meses do inverno de 1691.
As meninas perguntaram a Tituba, que conhecia métodos de adivinhação, como seriam seus futuros maridos, uma preocupação normal da maioria das meninas que rondavam a puberdade.
Com o passar do tempo, as meninas começaram a ter desmaios, acessos de melancolia, adotavam posturas e gestos insólitos, e tinham visões. (“Uma geração depois, em Northampton, Massachusetts, o mesmo tipo de comportamento entre jovens levaria o Reverendo Jonathan Edwards a declarar que estava ocorrendo uma’ ‘aceleração’, espiritual, e assim começaria o primeiro’ ‘Grande Despertar” na história do revivescimento religioso americano.) Na aldeia de Salem, esse mesmo comportamento foi interpretado por líderes eclesiásticos como obra do diabo.
Foram tomados depoimentos em audiências públicas durante os meses seguintes, nas quais as meninas e outras que tinham começado a ser também afligidas pelo mesmo comportamento (“que se convertera numa coqueluche” entre as adolescentes) acusaram membros adultos na comunidade de as perseguirem e atormentarem. Elas tinham fantasias bizarras de pessoas em tudo o mais respeitáveis que estariam envolvidas em atividades sinistras com o diabo.
Quando o inverno cedeu o lugar à primavera, infortúnios naturais foram associcados ao diabo através de certos habitantes da aldeia. De acordo com as teorias da época, o diabo só podia operar através de alguém com a cooperação dessa pessoa. Alguém que tivesse feito um pacto com o diabo. Alguém que fosse uma "Bruxa".
Foram feitas acusações, pessoas detidas, inquéritos abertos, e no começo da primavera as prisões estavam superlotadas. Depois a coisa propagou-se. Foram descobertas' 'bruxas" em Beverly, Topsfield, Andover, Ipswich, Lynn e virtualmente em todas as cidades e aldeias do Condado de Essex.
Na realidade, houve em Andover mais prisões do que em Salem. As autoridades de Boston enviaram representantes para conduzir os julgamentos.
Os primeiros julgamentos começaram em junho, e Bridget Bishop foi enforcada depois de ter ficado encarcerada desde abril. Os acontecimentos sucederam-se com rapidez. Em julho, Rebecca Nurse, Sarah Good, Elizabeth How, Sarah Wild e Susanna Martin foram enforcadas.
Os julgamentos de agosto consideraram culpados John Willard, John e Elizabeth Proctor, George Jacobs, Martha Carrier e o Reve- rendo Géorge Burroughs. Todos foram executados, exceto Elizabeth Proctor, que estava grávida e teve sua execução suspensa até nascer o bebê.
Autora: Laurie Cabot (uma bruxa de Salem)
Trecho retirado do livro 'O Poder da Bruxa'

Início
As Bruxas de Salem Parte II


Os julgamentos de setembro mandaram para a forca Martha Cory, Alice Parker, Ann Pudeator, Mary Esty, Margaret Scott, Mary Parker, Wil- mot Reed e Samuel Wardwell. O marido de Martha Cory, Giles, teve morte por esmagamento sob o peso de pedras. E quando esse hediondo verão terminou, mais de uma centena de pessoas estavam ainda aguardando julgamento, e várias centenas mais tinham sido acusadas.
Finalmente, cabeças mais frias começaram a predominar. Increase Mather pregou em Cambridge que a questão de provas aceitáveis como evidência de "Feitiçaria" assentava-se em bases muito duvidosas e precárias, sobretudo a noção de evidência espectral, ou a habilidade do diabo para assumir a forma de alguém na comunidade. Embora não negando que o diabo podia assumir a forma de um homem ou de uma mulher, era bastante difícil' 'provar" que ele ou ela tinha efetuado o pacto inicial com o diabo. Não podia o diabo assumir igualmente a forma de uma pessoa inocente? Algumas pessoas estavam começando a pensar que sim.
Finalmente, Increase Mather argumentou ser preferível deixar
uma "Bruxa" escapar à execução do que dar a morte a dez pessoas 'inocentes'. Seus argumentos levaram a melhor e a caça às Bruxas cessou pouco depois.
Uma questão que freqüentemente vem à tona acerca das 20 pessoas executadas e as centenas acusadas é a seguinte: Eram elas realmente Bruxas?
Os dados históricos são escassos. Estou certa de que algumas ou muitas delas, como suas congêneres na Europa, ainda retinham muitas das práticas da Velha Religião: ervas, poções especiais, adivinhação, técnicas de cura natural. Algumas podem ter até celebrado
as antigas datas festivas naturais.
Sabemos que colonos do Massachusetts em Marymount erigiram um Maypole (o mastro enfeitado da festa da primavera) no começo do século. Mas a questão sobre se eram devotos da Deusa ou não nunca foi apurada. Havia certamente Bruxas entre seus ancestrais, mas elas próprias podem não ter sido Bruxas na acepção de serem nossas correligionárias. A maioria dessas pessoas era, provavelmente, de cristãos devotos. Não obstante, penso que devemos reivindicá-las como Bruxas. Certamente morreram pela nossa liberdade. Recusaram-se a admitir que tivessem cometido qualquer crime. (É interessante assinalar que nenhuma das que confessou praticar a Feitiçaria foi enforcada. Declararam-se arrependidas e foram readmitidas na comunidade. Também poderíamos indagar se aquelas que confessaram eram realmente Bruxas ou o fizeram para salvar a própria vida. Muita coisa se perde nas páginas da história.)
Se as vítimas da caça às Bruxas em Salem e cidades vizinhas não eram bruxas, então o Museu da Bruxa, situado a algumas quadras de minha casa, não é realmente sobre Feitiçaria, e os visitantes que o percorrem aos milhares todos os anos não estão realmente aprendendo a verdade sobre quem somos ou o que praticamos. Durante anos, as Bruxas de Salem protestaram a esse respeito junto à Administração do Museu e conseguimos finalmente que os turistas fossem alertados para isso. O que os visitantes aprendem em seus giros pelo museu não é a religião da Deusa, mas o que pode acontecer a uma comunidade cristã que sucumbe a um medo irracional do diabo e projeta essa imagem maléfica em membros da própria comunidade.
À medida que o século XVIII avançava, as pessoas foram ficando mais céticas a respeito de Feitiçaria. O espírito da época - a racionalidade do Iluminismo - convenceu as pessoas de que essa magia era embromação e de que quem a praticava estava cedendo à auto-sugestão.
A nova era, também era mais cética sobre a religião em geral e menos zelosa em perseguir os não-crentes. A ira que tinha alimentado as caças às Bruxas aquietou-se. Em 1712, a última pessoa condenada por Feitiçaria era executada na Inglaterra, embora as leis antibruxaria permanecessem teoricamente em vigor até o século XX. Na Escócia, a última execução teve lugar em 1727 e as leis foram revogadas em 1736. E claro, por toda a Europa e na América houve julgamentos e execuções esporádicas. Na Hungria, em 1928, por exemplo, os tribunais absolveram uma família que tinha espancado uma anciã até a morte por suspeita de bruxaria.
Com ou sem as leis e as autoridades civis ou eclesiásticas para apoiá-Ias, as pessoas continuaram molestando Bruxas e, com freqüência, causando-lhes sérios danos físicos. Certa vez, um fotógrafo perguntou-me se eu estaria disposta a posar para uma foto ao lado do túmulo do Juiz Hathorne, um dos magistrados que perseguiu Bruxas em Salem nas cidades vizinhas no século XVII. Eu concordei e agora, sempre que olho para a foto, digo ao Juiz Hathorne e seu bando: "Nós sobrevivemos. Ainda estamos aqui."

Autora: Laurie Cabot (uma bruxa de Salem)
Trecho retirado do livro 'O Poder da Bruxa'

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Mulher - Símbolo da Fertilidade

Muitas bruxas dizem que a sua Arte é tão antiga quanto a humanidade.

A Bruxaria vem da época em que os homens das cavernas desenhavam em suas paredes os animais que desejavam caçar, para garantir assim a captura da alma do animal antes do dia seguinte. Isso é conhecido como magia simpática e pode ser considerada a primeira forma de Bruxaria a existir no mundo. Tudo o que os nossos ancestrais conheciam era a fertilidade dos animais e dos humanos; a agricultura ainda não tinha sido desenvolvida. O princípio misterioso da vida vinha da Natureza e conduzia o mundo adiante.
Era um mundo de florestas e montanhas, de caça a animais enormes e mais fortes, da segurança de sua caverna, do calor do fogo recém-descoberto, das estrelas à noite, da fusão dos quatro elementos em suas vidas.
Eles viam a Lua ficar cheia e ficar vazia, em uma eterna dança que se repetia, assim como as mulheres às vezes davam à luz novos membros da tribo, garantindo a sua continuidade. Todo mês as mulheres sangravam muito e não morriam, e esse era um grande mistério para os antigos. A mulher era o símbolo da fertilidade.
Os primeiros trabalhos artísticos foram enormes estátuas de mulheres com seios grandes e ventre cheio, uma clara representação da Mãe. Muitos afirmam que essas são as primeiras imagens formadas de um possível culto à Deusa, o que pode ser ou não verdade. O que é fato mesmo, é que a mulher era tida como sagrada por ter o "dom" de dar origem a novas vidas. Naquela época, o homem ainda não estava associado à reprodução.
Tais estátuas não parecem ser retratos. Elas representam o princípio abstrato da fertilidade, da vida; por que não poderia ser uma Deusa da fertilidade?
Ligada à mulher estava a Magia. Foi encontrada na Argélia um desenho Paleolítico muito interessante. Alguns inclusive dizem que é o desenho mais antigo de uma bruxa. Trata-se de uma mulher em pé com os braços erguidos, em uma posição de invocação. De sua região genital, uma linha passa para a região genital de um homem. Este é mostrado um pouco agachado, preparando-se para lançar uma flecha com seu arco. Em volta dele estão alguns animais, e a flecha está sendo mirada em direção a um grande pássaro que se parece com um avestruz.
Esta é claramente uma representação da caça mágica: uma mulher em casa praticando magia para possibilitar que seu homem possa ser bem sucedido na caçada e conseguir alimento.
Apesar de o desenho ser primitivo, está relativamente bem feito. A mulher é representada em um tamanho maior que o homem, significando a sua importãncia, e parece usar algumas jóias mágicas, uma faixa e alguns amuletos em ambos os braços. Aliás, braços levantados como se estivesse acontecendo uma invocação são freqüentes nas artes mais antigas.
Outra figura bastante famosa da Idade da Pedra foi o "Feiticeiro", encontrado na Caverna des Trois Fréres, em Ariége, França. Mostra uma figura dançando, meio homem, meio animal, com os chifres grandes de um veado. Algumas autoridades consideram esse desenho um homem mascarado, outros, um Deus de Chifres.
Hoje em dia, ainda há o culto a uma Deusa da fertilidade e a um Deus de chifres. É claro que isso não prova uma herança direta dos tempos antigos, com exceção daquela que mantemos em nossas mentes. No entanto, podemos ver que a Bruxaria não é uma invenção de eclesiáticos da Idade Média, como muitos ainda hoje querem que nós pensemos.

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O que é ser Bruxa

A Bruxaria é um ofício que se utiliza da magia natural para obter fins específicos e existe desde os primórdios da humanidade.
A Bruxaria é pagã. Quando dizemos pagão, estamos nos remetendo à origem do termo, que vem do latim paganus. Paganus significa "morador do campo" ou "aquele que vive do campo". Esse foi o termo usado pela Igreja Católica para classificar os povos que moravam no campo e celebravam as colheitas e os ciclos do Sol e da Lua.
Vale lembrar que tais pessoas dependiam essencialmente da Natureza para sobreviver. Assim, para eles era comum festejar uma colheita que vinha farta e trazia comida para todo o inverno, pois isso significava vida para eles.
Esses povos não eram católicos nem cristãos, não por se oporem a essas religiões, mas por suas crenças serem milhares de anos mais antigas. Eram as crenças deles, apenas, e diferiam das crenças cristãs assim como o Budismo ou o Hinduísmo diferem.
O Paganismo seria, então, o modo de viver dos povos pagãos, lembrando que usamos o termo pagão para classificar toda e qualquer pessoa que celebre a Natureza e seus ciclos. A Bruxaria é apenas uma das inúmeras vertentes pagãs. Temos também o Druidismo, o Xamanismo etc.
A Bruxaria desenvolveu-se em diversas culturas e diversas épocas ao redor do mundo. Temos desde a Bruxaria Pré-Histórica (quando os homens desenhavam o animal nas cavernas achando que assim capturariam-lhe a alma antes da caçada e as mulheres maceravam ervas buscando a cura), passando pela Bruxaria na História Antiga (Grécia, Roma, Egito), a Bruxaria Medieval (uma transição fantástica e cruel entre a Antiga Religião e o Catolicismo, através da Inquisição), a Bruxaria nas sombras durante o Iluminismo e o renascimento da Bruxaria, no século XX. Como podem ver, é uma longa história.
O renascimento da Bruxaria se deu na década de 1950, através de um bruxo inglês chamado Gerald Gardner. Na verdade, já existiam livros com algumas décadas de antecedência que abordavam o assunto, porém Gardner foi o cara que mostrou a Bruxaria para o mundo, e como ela tinha evoluído até então, mesmo estando nas sombras.
A maneira pela qual Gardner apresentou a Bruxaria ficou conhecida como Wicca, que virou sinônimo de Bruxaria Moderna. A partir daí, a Bruxaria foi se popularizando e tendo cada vez mais adeptos, especialmente porque as pessoas viam nela uma forma de religiosidade totalmente diferente das religiões convencionais. Não que seja melhor ou pior, é apenas uma forma alternativa que atrai cada vez mais adeptos.
O coven (grupo de bruxas/os) de Gardner se ramificou e, aos poucos, os praticantes foram se multiplicando. Era normal que surgissem novas tradições. A primeira tradição a surgir depois da Wicca Gardneriana foi a Tradição Alexandrina. Os rituais e liturgia eram semelhantes à gardneriana, com apenas algumas poucas diferenças características.
Então veio a década de 60 e o movimento hippie, com as pessoas descobrindo formas alternativas de viver, buscando uma interiorização maior e menor hipocrisia perante a sociedade e a si mesmos. A década de 70 trouxe o movimento feminista arrebatador, e a história da Wica se modificaria para sempre...
Esses dois movimentos foram fundamentais para o desenvolvimento da Wicca nos anos seguintes, pois a partir daí vemos claramente uma divisão entre a Wicca de Gardner (gardneriana) e a Wicca misturada com o feminismo, o movimento hippie (new age) e algumas liberdades atribuídas à religião.
Vamos resumir as coisas, então: a Bruxaria não é uma religião, mas um ofício, um conjunto de crenças pagãs. A Wicca, no entanto, aparece como a religião da Bruxaria, com rituais, divindades, dogmas e tudo o mais que uma religião tem direito. A Wicca surgiu com Gardner, porém, aos poucos, foi sendo modificada de acordo com as necessidades de seus praticantes, ou de quem queria ser praticante. Temos, distintamente, duas vertentes da Wicca: a Wicca Tradicional (gardneriana e alexandrina) e a Wicca Moderna (qualquer outra vertente que venha depois das duas citadas anteriormente). Ambas, apesar de serem Wicca, são bastante diferentes umas das outras; porém, a essência é a mesma. O que muda é a forma de fazer a coisa toda.

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Sobre Magos e Bruxas



No Brasil vive uma senhora, que faz parte de um grupo, que atua em todo o planeta, na desmistificação das Bruxas, Magos e outros...

Vem atuando muito bem, e tem muita credibilidade, e por ser de natureza honesta e preocupada com o bem estar da humanidade, foi lhe dado o privilegio do encontro com Magas e Magos no Brasil, e em outros paises.

Ela nos conta, que em Brasília-DF, existe um Mago maravilhoso, que vive com sua família numa casa humilde, e tira o sustento de todos, do trabalho de pintor de paredes! E ainda cuida de um lar para idosos, sem nenhuma ajuda governamental - cujas famílias são muito pobres.

*Ela nos contou que certa vez, ao visitá-lo, com apenas um discreto movimento de mãos, começou uma chuva imensa de pétalas de rosas, com um perfume maravilhoso! Diz ela que foi emocionante, as pétalas surgiam do ar! Mais tarde, um pouco antes de se despedirem, já do lado de fora da casa, num jardinzinho muito simples, ele abaixou, pegou uma pedra comum, e ficou brincando; jogando-a para cima e pegando. Numa dessas pegadas, segurou-a na mão por um tempo maior. Quando se despediam, ele abriu a mão e lhe deu a pedra. Ela havia se transformado numa pedra preciosa! Brilhava como uma estrela no céu! Essa senhora, a levou a um especialista para autenticar o brilhante, e doou-a a uma entidade filantrópica.

* Conta ela que no Mato Grosso, encontrou com um outro Mago tão maravilhoso quanto o de Brasília. Que ele também vive de forma muito simples e humilde. Vive discretamente, quase invisível. O seu sustento e de sua família vem do trabalho de carpintaria, e ele ainda cuida de um batalhão de doentes e famintos na sua região. Contou-nos ela, que ele a levou numa mata próxima, e deu um assobio, apareceram umas três dezenas de cobras, de todas as espécies, e se prostraram a nossa volta! Ele agradeceu e pediu permissão para retirar um pouco do liquido que chamamos de veneno, e elas emitiram um som como que concordando! Ele foi a cada uma, fez a coleta, agradeceu de novo e elas foram embora fazendo um movimento, como se estivessem dançando e felizes! Em seguida o Mago colheu algumas folhas de três arbustos diferentes, antes de colher pediu permissão ao elemental daquelas plantas. Aí fomos embora. Chegando à sua casa, mostrou-me um míni laboratório caseiro, onde com o auxilio de um moedor, extraiu um liquido escuro das plantas, misturou-o com o outro colhido das serpentes, juntou com um outro liquido transparente como água cristalina e disse: - Esse é um elixir universal, todos que trabalham com a ajuda da natureza o conhecem e sabem que além de fortalecer o organismo, recuperando-o do desgaste, por completo, cura quase todas as doenças provenientes de vírus e bactérias.

* Ela falou também de uma Maga que encontrou no interiorzão de São Paulo. Que saiu do encontro, maravilhada com o poder daquela mulher, com sua humildade, e com o trabalho essencial e de forma discreta que ela vem realizando por lá. Conta ela, que a noite no quintal, sob seu olhar espantando, tendo as estrelas como testemunha, viu a Maga estalar os dedos, três vezes! O ar de repente começou a movimentar-se e foram aparecendo bolhas cheias de um liquido viscoso, que foi sendo colhido pela Maga e guardadas num vidro. Depois, me disse que com esse produto faz um poderosíssimo elixir, que recupera o organismo já desgastado pelo tempo e ainda cura quase todas as doenças. Concluiu que é assim que ajuda os doentes pobres da região.

* Disse-nos que numa cidadezinha bem próxima da Capital – SP, existe uma outra senhora que faz um trabalho maravilhoso na região, de forma tão discreta, que até os diretamente beneficiados, não a vê, e nem sabem dela! Ela consegue viver e trabalhar na região sem ser percebida! É uma figura quase invisível, embora trabalhe o tempo todo pelos necessitados daquela região. Essa Maga mostrou uma capacidade infinita de multiplicar coisas e alimentos, para poder atender a todos os famintos! Ela fez na minha frente! Transformou uma só porção de cinco quilos de arroz em cem quilos! Em trezentos! De acordo com a necessidade. Foi para o seu quintal, onde havia uma horta de verduras e legumes. Colheu tudo que pode. Depois se sentou bem no meio do que restou, liberou do seu corpo uma energia, que foi sendo absorvida pelas plantas, que imediatamente começaram a crescerem, em poucos minutos, já estavam em condições de serem colhidas novamente! Foi espetacular!
 
- Assim é a vida dos magos, das fadas, dos alquimistas e dos nossos anjos.

Você deve estar curioso para saber como eles surgem e como se fizeram Magos? Muito bem, aqui bem próximo de nós, existe uma dimensão mais avançada que se entrelaça com a nossa, é onde estão às escolas de aspirantes a Magos, ali se inicia o postulante na grande obra, é onde se preparam, e quando já prontos, são enviados as várias regiões do nosso planeta.

Vivem de forma tão discreta que muitas vezes você o tem do seu lado e não percebe! Mas é necessário que seja assim, de outra forma, o seu trabalho e sua própria estada no planeta estaria comprometida.

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